– “Quando decidi dedicar minha vida a ajudar aqueles que precisavam e a mudar a situação da hepatite no mundo, eu não estava apenas fazendo isso porque havia sido poupado, embora já com cirrose e à beira de ter as severidades de a doença sem sentir um único sintoma. O que realmente me motivou a combater essa causa e me tornar um líder foi a injustiça por trás disso” – explica Humberto.

– “A hepatite é uma doença sui generis. É uma doença que mata lentamente, que pode levar décadas para consumir o fígado da pessoa – é por isso que é conhecida como uma assassina silenciosa. Enquanto algumas pessoas argumentam que existem outras doenças silenciosas, como diabetes, pressão alta e até algumas formas de câncer, essas doenças não são fáceis de descobrir. Elas continuam aparecendo aqui e ali, todos os dias, o que torna o combate quase impossível para as autoridades de saúde. Mas este não é o caso da hepatite. Este último já está lá, presente em um grupo, em uma porcentagem da população, que o carrega há muito tempo. E tudo o que um governo precisa fazer é fornecer uma triagem para a população e descobrir quem está doente. Isso pode ser feito com testes rápidos de picada no dedo, nas ruas, se você quiser, ao custo de centavos por teste. E quem é diagnosticado, como eu, recebe a chance de lutar por sua vida, pois há tratamento para os dois vírus.

As autoridades de saúde de todo o mundo sabiam que o problema estava lá, ou melhor, que ele está lá. Mas está em silêncio. Então .., por que ir lá e descobrir problemas dentro de sua gestão? Deixe-os lá, eles não estão fazendo barulho. Já existem problemas suficientes, barulhentos, aos quais esse governo deve comparecer. Sempre que alguém surgir com um sintoma, a necessidade de um transplante ou um óbito, isso pode muito bem ocorrer durante o próximo mandato – uma questão para os próximos governadores.

“Essa postura simplesmente fez com que centenas de milhões de pessoas em todos os países do mundo se limitassem ao que podem ser suas sentenças de morte, sem nunca ter a chance de se defender e lutar por sua sobrevivência.

Hoje o mundo é tomado por um fardo de pacientes com hepatite B e C que ainda não têm a menor ideia de sua contaminação e o risco fatal que estão enfrentando. Estima-se que cerca de 400 milhões tenham a doença. Mas apenas 5% a 10% dos infectados são diagnosticados.”

“Justificar que a falta de ação é algo que pode ser feito por vários argumentos, continua Silva, mas temos situações em que vemos o extremo – é quando nós, com nossas equipes de Hepatite Zero, tentamos entrar em um país e com a ajuda de nossos voluntários do Rotary realizam testes entre a população e as autoridades locais negam veementemente essa abordagem. Alguns até foram brutais e ameaçadores, declarando que éramos “proibidos de executar essa ação humanitária”, usando argumentos como o de que lhes causaríamos problemas, pois eles não têm estrutura disponível para tratar os doentes, etc. Obviamente que nosso contra-argumento nesses casos é que também forneceríamos os medicamentos, etc., se necessário, afinal, Rotary Clubs são reuniões de filantropos que estão lá para fazer o bem à comunidade. Mas, mesmo assim, alguns países ainda não mudam de posição. Um deles chegou a decidir mudar de ideia depois de solicitar uma doação de nossos kits de teste. Como o material já havia sido enviado, eles mudaram de ideia e confiscaram os milhares de testes que nós doamos.”

– “Como um líder de milhões de pessoas de um país pode adotar essa postura, simplesmente pela conveniência de não criar novos problemas para o departamento de saúde deles?! Saber que milhões vão morrer e fechar os olhos para isso … Isso é revoltante!”

Graças a Deus, esses casos estavam longe de ser a maioria durante nossa campanha – como muitos participantes pensaram que seria. E a maioria dos mais de 50 países com os quais abordamos nossa ajuda humanitária aceitou nossa campanha e permitiu diagnosticar os infectados.

Ficamos felizes por mais de 1 milhão de apresentações simultâneas em cerca de 50 países. E cerca de 7.000 pessoas foram diagnosticadas. Podemos dizer que aqueles tiveram suas vidas salvas. Pois eles procurarão tratamento, agora têm seu próprio eu para lutar por suas vidas.”